Quais terapias o SUS oferece para crianças com autismo?
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é a estrutura do SUS responsável pelo cuidado de pessoas com transtornos mentais, incluindo o TEA. O atendimento de crianças com autismo no SUS deve contemplar:
- Fonoaudiologia — para desenvolvimento da linguagem e comunicação
- Terapia Ocupacional — para desenvolvimento de habilidades motoras e de vida diária
- Psicologia — para suporte comportamental e emocional
- Psiquiatria infantil — para avaliação e manejo medicamentoso quando necessário
- Serviço Social — para suporte às famílias e acesso a benefícios
O atendimento ocorre principalmente nos CAPS Infantojuvenis (CAPSij), nas UBSs e nos Centros de Reabilitação vinculados ao SUS.
A Lei nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana) garante à pessoa com TEA o acesso integral às ações e serviços de saúde — incluindo diagnóstico precoce e atendimento multiprofissional.
ABA pelo SUS: existe cobertura?
A terapia ABA pelo SUS ainda não está universalmente disponível na rede pública — o que é uma lacuna grave, considerando a robustez da evidência científica que a sustenta. Entretanto, a ausência de oferta universal não impede a obtenção judicial.
Os tribunais brasileiros têm concedido liminares determinando que o Estado custeie a terapia ABA para crianças com TEA quando:
- O diagnóstico está formalmente estabelecido
- Há prescrição médica indicando a terapia ABA como necessária
- O SUS não oferece o serviço na região de residência da criança
- A família não tem condições de arcar com o custo particular
O Tema 793 do STF — responsabilidade solidária dos entes federativos pela saúde — é o fundamento principal dessas ações, e a taxa de concessão de liminares nesse tipo de caso é alta.
Como acessar as terapias para TEA pelo SUS
- Obtenha o diagnóstico formal — por médico neurologista, psiquiatra infantil ou pediatra, com CID correspondente ao espectro autista
- Procure a UBS de referência para encaminhamento ao CAPSij ou ao serviço de reabilitação mais próximo
- Solicite avaliação multiprofissional e o plano terapêutico individualizado
- Registre todos os pedidos com protocolo — filas de espera longas são comuns e a documentação é essencial para eventual ação judicial
- Se houver negativa ou fila excessiva, busque orientação jurídica para ação judicial com pedido de tutela de urgência
O que fazer quando o SUS demora excessivamente
Filas longas para atendimento de crianças com TEA são, infelizmente, frequentes em muitos municípios. Quando a demora é excessiva e compromete o desenvolvimento da criança — especialmente em idades precoces, quando a janela de intervenção é mais eficaz —, a via judicial é o caminho mais eficaz.
O atraso no início das terapias para autismo pode ter consequências permanentes no desenvolvimento da criança. Os juízes têm sido sensíveis a esse argumento, especialmente quando há evidência médica clara de que cada mês de espera representa prejuízo ao desenvolvimento.
A ação pode ser ajuizada em face do Município, do Estado ou de ambos, pedindo tutela de urgência para que o atendimento seja fornecido imediatamente — seja na rede pública, seja por meio do custeio do atendimento na rede privada.
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