O que é trombofilia e por que o tratamento é essencial?
A trombofilia é uma condição — hereditária ou adquirida — em que o sangue tem maior tendência à formação de coágulos (trombos), aumentando significativamente o risco de trombose venosa profunda, embolia pulmonar, AVC e, em mulheres, de complicações gestacionais graves como abortos de repetição, pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal.
O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais específicos — painel de trombofilias — e o tratamento, quando indicado, pode incluir:
- Anticoagulantes orais (varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana)
- Heparina de baixo peso molecular — especialmente durante a gestação, quando os anticoagulantes orais são contraindicados
- Ácido acetilsalicílico em doses profiláticas
- Acompanhamento por hematologista e, quando necessário, por obstetra de alto risco
- Exames periódicos de monitoramento da coagulação (INR, anti-Xa, etc.)
Em gestantes com trombofilia, o tratamento é especialmente crítico — a interrupção ou ausência de anticoagulação pode resultar em perdas fetais repetidas e complicações maternas graves.
O plano de saúde é obrigado a cobrir o tratamento da trombofilia?
Sim. A trombofilia é uma doença que exige acompanhamento médico contínuo e uso de medicamentos específicos — e o plano de saúde não pode negar a cobertura do tratamento quando há indicação médica documentada.
Cobertura dos exames diagnósticos
O painel de trombofilias — incluindo pesquisa de fator V de Leiden, mutação da protrombina, proteínas C e S, antitrombina III, anticorpos antifosfolípides e outros — deve ser coberto quando prescrito pelo médico assistente.
Cobertura do acompanhamento especializado
Consultas com hematologista e, em gestantes, com obstetra de alto risco são obrigatoriamente cobertas quando há indicação médica.
Cobertura dos anticoagulantes
Quando administrados em regime de internação ou em procedimento ambulatorial coberto pelo plano, os anticoagulantes devem ser custeados pela operadora. Para medicamentos de uso domiciliar contínuo, a situação é mais complexa — mas a jurisprudência tem reconhecido a obrigatoriedade de cobertura quando o medicamento é indissociável do tratamento de doença coberta.
Cobertura da heparina na gestação
A heparina de baixo peso molecular em gestantes com trombofilia é um dos casos com maior respaldo jurisprudencial para cobertura obrigatória — dada a gravidade do risco gestacional e a ausência de alternativa terapêutica segura.
Negativas mais comuns — e por que são ilegais
"O medicamento é de uso domiciliar e não está coberto"
A jurisprudência tem superado esse argumento quando o medicamento é essencial ao tratamento de doença coberta pelo plano. A forma de administração não pode ser utilizada como pretexto para negar o tratamento.
"O exame não está no rol da ANS"
Após o julgamento do STJ (Tema 1.082), o caráter não taxativo do rol afasta esse argumento quando o exame é prescrito por médico e necessário para diagnóstico ou monitoramento de doença coberta.
"A trombofilia é condição preexistente e está em carência"
A carência para doenças preexistentes — mediante Cobertura Parcial Temporária — tem prazo máximo de 24 meses. Após esse período, a cobertura é integral. E mesmo durante a CPT, situações de urgência e emergência decorrentes da trombofilia devem ser cobertas.
Como agir diante da negativa
- Obtenha laudo do hematologista ou obstetra de alto risco com diagnóstico, CID e justificativa para o tratamento indicado
- Protocole o pedido formalmente e exija negativa por escrito
- Acione a ANS pelo 0800 701 9656
- Busque orientação jurídica — especialmente em casos de gestantes com trombofilia, onde a urgência é real e as liminares são concedidas com alta frequência
O plano negou tratamento para trombofilia?
Entre em contato para orientação especializada. Casos de gestantes têm prioridade de atendimento.
Falar com um Especialista